Sobre o programa > Povos envolvidos

Povos envolvidos

Kaingang (RS)

O povo Kaingang é um dos maiores e mais expressivos grupos indígenas do Brasil, com população estimada entre 26 mil e 30 mil pessoas, espalhadas principalmente pelos estados do Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e São Paulo. No Rio Grande do Sul, sua presença é particularmente marcante, ocupando diversas Terras Indígenas, como Guarita, Ivaí, Xapecó e Morro do Osso, além de comunidades urbanas em cidades como Porto Alegre. Esses territórios são muito mais do que espaços de moradia e subsistência: são o coração da identidade Kaingang, onde se preservam tradições, práticas agrícolas, celebrações comunitárias e saberes transmitidos de geração em geração. A língua Kaingang, integrante da família Jê, permanece viva e falada por grande parte do povo, funcionando como um elo essencial da sua identidade cultural. Mesmo diante de desafios, como a pressão sobre os territórios e a necessidade de se relacionar com a sociedade não indígena, os Kaingang mantêm uma organização social sólida, com laços comunitários profundos e um conhecimento tradicional que combina história, cultura e cosmologia.

A valorização da língua e das práticas culturais é uma estratégia vital para a preservação da memória coletiva e da coesão social Kaingang. Fortalecendo esses elementos, o povo reafirma diariamente sua presença e resistência, garantindo que sua cultura e modos de vida continuem a florescer, mesmo em um contexto de constantes transformações.

 

Referência: INSTITUTO SOCIOAMBIENTAL (ISA). Povo Kaingang. Povos Indígenas no Brasil. Disponível em: https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Kaingang . Acesso em: 21 out. 2025.

Kaiowá (MS)

Os povos indígenas Kaiowá vivem principalmente no sul de Mato Grosso do Sul e têm uma ligação profunda com o território tradicional e ancestral, o tekoha, que é o lugar onde vivem e estão conectados com a vida espiritual, social e cultural. É no tekoha que encontram força, equilíbrio e o sentido do teko porã, a vida boa e harmoniosa que buscam manter. Por causa da perda de suas terras, enfrentam muitas dificuldades, mas continuam rezando e lutando para recuperar a terra, o tekoha sagrado. Nas Aty Guasu, as grandes assembleias, se reúnem para decidir juntos e fortalecer a resistência, preservando sua língua, seus costumes e sua forma de viver como povo Kaiowá, sempre no coletivo, o individual não existe, respeitando a sabedoria dos mais velhos para fortalecer o saber Kaiowá tradicional.

Referência: descrição fornecida pela comunidade.

Tikuna (AM)

O povo Tikuna é um dos maiores povos indígenas do Brasil, com população estimada em 57.571 pessoas no estado do Amazonas, segundo dados do Siasi/Sesai (2020), reunidos pela plataforma Povos Indígenas no Brasil do Instituto Socioambiental (ISA). Há, ainda, cerca de 8 mil Tikuna na Colômbia e quase 7 mil no Peru, o que faz deste um dos grupos indígenas mais numerosos da região amazônica trinacional. No Brasil, suas comunidades se concentram principalmente na região do Alto Solimões, em municípios como Tabatinga, Benjamin Constant e Amaturá, em áreas próximas aos rios e igarapés que estruturam seu modo de vida. Sua língua, também chamada tikuna, é considerada de origem isolada, sem parentesco comprovado com outras famílias linguísticas, e segue amplamente falada nas aldeias. O uso intensivo da língua, inclusive nas comunidades próximas às cidades, demonstra sua força e centralidade na preservação cultural e na transmissão intergeracional de saberes.

Fortemente ligados aos rios e à floresta, os Tikuna estruturam sua vida social, espiritual e econômica em torno dos ciclos da natureza, compreendendo o território não apenas como espaço de moradia e subsistência, mas como base de identidade, ancestralidade e continuidade histórica. Sua arte, marcada por elementos da fauna e da flora amazônicas, manifesta essa relação simbiótica com o ambiente e reforça a dimensão coletiva de sua cultura. Apesar de enfrentarem desafios como a pressão sobre os territórios, a degradação ambiental e os impactos da integração forçada com centros urbanos, os Tikuna mantêm uma organização comunitária sólida e atuante. Sua presença no Alto Solimões é essencial não apenas para a preservação da floresta amazônica, mas também para a manutenção da diversidade sociocultural que caracteriza a região.

 

Referência: INSTITUTO SOCIOAMBIENTAL (ISA). Povo Ticuna. Povos Indígenas no Brasil. Disponível em: https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Ticuna . Acesso em: 21 out. 2025.